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A ERA DO GELO
A ERA DO GELO

 

 

O dinossaurinho cruzou a lagoa e foi parar no meio de um campo cheio de graminhas e arvorezinhas. Comeu um monte delas. Era herbívoro.

Passou o tempo da digestão e logo notou que uma multidão de amigos caminhava com alguma pressa em sua direção. Olhando o céu, aves dos mais variados tamanhos, todas colegas, voavam na mesma rota dos pesados amigos de solo.

Intrigado e sem saber o que fazer, esperou que chegassem mais perto e começou a correr também.

Mal sabia o que estava por vir.

O mundo ia acabar.

O mundo dos dinossaurinhos e dinossaurões ia acabar. Era a era do gelo. E fim.

Durante todo o período de geleiras infindáveis, a Terra, esperta como ela só, foi remexendo em outras camadas e guardando tesouros para uma próxima etapa.

Surgiram espécies diferentes, cheias de cor, peludas e embolotadas de penas e, entre elas, um ser cabeludo e rude. Era o homem. Feio, mas homem.

O homem daqueles tempos corria muito. Corria de bicho, corria deles próprios, corria atrás de bichos. Comia sei lá o quê. Vestia-se com....pelos.

Mas a evolução é farta e os homens passaram a ter idéias. Era uma ferramentinha ali, outra aqui ; inventaram o fogo e as cavernas passaram a ser mais confortáveis ; matavam os bichinhos possíveis e logo ficaram fortes, vitaminados e com mais idéias.

Aquele carvãozinho que restava dos galhos retorcidos depois de apagada a fogueira passaram a desenhar. E quanta arte! Sabemos, através destes desenhos, que eles puxavam as suas mulheres cabeludas pelos cabelos quando queriam casar. Sabemos que matavam os bichinhos possíveis e que lutavam muito, afinal era difícil viver naqueles tempos. Tinha sol demais, chuva demais, gelo demais, mato demais, inimigos demais.

Entre eles, a linguagem era um incômodo exercício de entendimento. Sofriam os revezes dos nascimentos dos filhos e criá-los passou a ser um outro incômodo, até que passassem a ter independência suficiente para se criarem sozinhos. Aos poucos, eram capazes de se organizar em grupos de amigos que lutavam contra o grupo de inimigos.

Sabiam definir quem era mais corajoso, mais inteligente, mais cabeçudo ou mais espertalhão. Lutavam pelo que consideravam seus direitos, batiam, matavam, usavam as ferramentinhas para machucar um ao outro e um lado vencia.

Quando isso acontecia, que farra! Tinha até festa de comemoração! E aí, tinha comida, pulos e gritos de satisfação. E desenhinho na parede da caverna, pra marcar a importante conquista.

Às vezes, sem nem terem na memória a vida antiquíssima dos dinossaurinhos, acabavam tropicando em alguma ossada de um bichão pelo caminho. Achavam estranho – mas quantas coisas estranhas não aconteciam nos dias que viviam na luta insana pela sobrevivência?

Ah, os primeiros homens....

Somos tão diferentes....